Luara Moraes.
No mēu t α l ē n t o α criαtividαdē ♪³
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Solidão.
“Procuro abrigo, num abraço apertado ou num ombro amigo, tanto faz. Busco por palavras de conforto, que acalentem minh’alma e levem embora os sentimentos que me atormentam. Quero colo, que afugente a solidão e afague este pobre coração. Clamo por morfina, para aliviar a dor que aqui lateja ensandecida. Culpo meus gestos soltos e sem direção que tentam demonstrar desesperadamente o indecifrável, o vazio. Eu olho para todos os lados e me sinto no ar. Desocupo o meu corpo e flutuo ocupando todo o volume da sala silenciosa. Ao som de Brian Crain ergue-se nos meus olhos a dor e eu peço, baby, só um pouco de amor. Essa palavra que vicia meu corpo, que se entrega e logo a frente se arranca sem dó nem piedade. São versos vadios e sem juízo, que preenchem e logo esvaziam, nos deixando à mercê da correnteza da nossa própria imensidão. Poderia ter aqui dentro um grande lago de aguá doce e cristalina onde eu pudesse descansar meu corpo ferido. Eu procuro um pouco de paz no meu peito ou nos teus olhos tanto faz.”
As estações do amor.
Era um fim de tarde quente de primavera, quando a vi andando por aí. Como uma flor que desabrocha nesta época do ano, este sentimento floriu aqui dentro de mim, e como um beija-flor que persegue sua doce e delicada flor, eu fui até você.
No início do verão provamos do gosto da paixão, tão quente e intensa quanto a temperatura que nos envolvia. O amor queimava estampado em nossos rostos. Éramos como adolescentes, no início de uma paixão, bobos e intensos. Mas logo o verão se foi, e com ele levou o calor que alimentava o nosso amor, deixando-nos sem alternativas, senão o fim.
O frio outono chegara, e este se fez o pior, já que nesta estação colhi os furtos do pós-amor, e esgotado de esperanças, cultivei solidão, insônia e uma safra inteira de arrependimentos que mofaram com o tempo e impregnaram-se em minh’alma.
E aqui estamos, no inverno, estação dos amantes, do frio e quem sabe até de recomeços. Vivo acolhido na frieza que instalou-se em meu ser, aconchegado no vazio que restou do nosso amor, coberto de expectativas, apostando tudo que tenho, nestas simples gotículas de chuva que descem dos céus, na espera de que toda essa água que me atinge agora, me limpe, e leve com ela, as mágoas que aqui se instalaram ao fim do verão passado, deixando-me assim, pronto para mais uma primavera.
Nevou
eu soube, numa fração de segundos, que as maos trêmulas eram o estado do coração frágil e que todos os pesadelos passados vieram à tona. era claro, agora, que o envelhecer só reserva-nos problemas sem muita paciência para esperar uma solução. tudo, em pouco tempo, vem ficando rápido e corriqueiro. e tudo, sem sentimento, não tem muita importância. todos sabem, é preciso ir ao shopping, fumar, passar batom e esquecer, entre as pequenas insignificâncias do dia a dia, que o corpo morre e a alma dele sai (e isso acontece todos os dias). é como deixar que a vida corra sozinha e não ter vontade de dizer a ela que uma hora a gente cansa de correr e é preciso descansar porque o suor acaba, a saliva seca, o corpo dói e o sol se põe e não se deve correr no escuro porque é provável que se bata no primeiro obstáculo que se aparecer à frente. mas também não se deve permanecer numa mesma posição por muito tempo porque as juntas enferrujam, os olhos travam e as palavras acabam. e quando se é preciso mover, simplesmente não se consegue por consequência de toda a falta de responsabilidade pessoal que se teve anteriormente. é fácil olhar para o filme e processar todas as informações ali dadas, mas é quase impossível fazer parte de um elenco egoísta, hostil, estragado. nada pior que conviver sem poder reclamar por que não é culpa da angústia, nem das pessoas, nem sua. não se pede pra nascer ou morrer, só se encara a vida com um pouco de fé em sei lá o quê e se espera a morte sem ter explicação sobre ela. também não se pede para sofrer ou sorrir, são ações involuntárias de músculos que não sabemos os nomes e mal conhecemos a existência.
aliás, mal conhecemos a existência do nosso ser, estar, padecer.
sábado, 6 de julho de 2013
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