sexta-feira, 12 de julho de 2013
Nevou
eu soube, numa fração de segundos, que as maos trêmulas eram o estado do coração frágil e que todos os pesadelos passados vieram à tona. era claro, agora, que o envelhecer só reserva-nos problemas sem muita paciência para esperar uma solução. tudo, em pouco tempo, vem ficando rápido e corriqueiro. e tudo, sem sentimento, não tem muita importância. todos sabem, é preciso ir ao shopping, fumar, passar batom e esquecer, entre as pequenas insignificâncias do dia a dia, que o corpo morre e a alma dele sai (e isso acontece todos os dias). é como deixar que a vida corra sozinha e não ter vontade de dizer a ela que uma hora a gente cansa de correr e é preciso descansar porque o suor acaba, a saliva seca, o corpo dói e o sol se põe e não se deve correr no escuro porque é provável que se bata no primeiro obstáculo que se aparecer à frente. mas também não se deve permanecer numa mesma posição por muito tempo porque as juntas enferrujam, os olhos travam e as palavras acabam. e quando se é preciso mover, simplesmente não se consegue por consequência de toda a falta de responsabilidade pessoal que se teve anteriormente. é fácil olhar para o filme e processar todas as informações ali dadas, mas é quase impossível fazer parte de um elenco egoísta, hostil, estragado. nada pior que conviver sem poder reclamar por que não é culpa da angústia, nem das pessoas, nem sua. não se pede pra nascer ou morrer, só se encara a vida com um pouco de fé em sei lá o quê e se espera a morte sem ter explicação sobre ela. também não se pede para sofrer ou sorrir, são ações involuntárias de músculos que não sabemos os nomes e mal conhecemos a existência.
aliás, mal conhecemos a existência do nosso ser, estar, padecer.
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